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Data com e data ex: quando o dividendo é seu?

Saiba até quando comprar uma ação para receber dividendos, quando pode vender, como funciona a data ex e por que a cotação é ajustada.

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Neste artigo
TRANSPARÊNCIA EDITORIAL

O que mudou desde a última atualização

  • Rechecamos elegibilidade, data ex e liquidação com a documentação da B3 e a Lei das S.A.
  • Revisamos a ligação entre data do evento e tributação, mantendo explícita a necessidade de confirmar o comunicado da companhia.

Em 30 de julho de 2026, a Vale anunciou R$ 2,0307 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio. O comunicado trouxe três datas:

  • 11 de agosto: último pregão com direito aos proventos;
  • 12 de agosto: início da negociação ex-proventos;
  • 2 de setembro: pagamento.

Agora imagine três investidores.

Ana comprou VALE3 no dia 11 e terminou o pregão com as ações. Bruno comprou no dia 12. Carla já era acionista, manteve os papéis até o dia 11 e vendeu toda a posição no dia 12.

Ana e Carla recebem. Bruno não.

Ana comprou no último dia possível. Carla vendeu antes de o dinheiro cair na conta. Ainda assim, as duas ficaram com o direito porque estavam na posição elegível no encerramento da data com. A partir da data ex, o provento já estava separado da ação.

Essa linha do tempo resolve quase toda a dúvida:

O dividendo é seu quando você termina a data com com uma posição elegível. Na data ex, o direito já está destacado da ação. O dinheiro pode ser pago semanas ou meses depois, mesmo que você já tenha vendido os papéis.

O prazo de liquidação das ações na B3 não obriga o investidor a comprar dois dias antes da data com. A própria infraestrutura da bolsa aguarda a liquidação das operações realizadas no último dia com direito para formar a base de acionistas elegíveis.

Resposta direta

Para receber um dividendo ou JCP anunciado:

  1. encontre a data com no comunicado oficial;
  2. compre a ação até esse pregão;
  3. termine o dia com uma posição líquida positiva;
  4. a partir da data ex, você pode vender e preservar o direito;
  5. aguarde a data de pagamento.

Comprar na data ex ou depois não dá direito ao provento que já foi anunciado.

Também não basta inserir uma ordem na data com. A ordem precisa ser executada. E comprar e vender a mesma quantidade no mesmo dia, terminando sem posição, não gera provento.

As quatro datas do processo

Data com e data ex fazem parte de um cronograma maior.

Tabela 1 do artigo
DataO que acontecePergunta respondida
Aprovação ou declaraçãoO órgão societário aprova o provento e divulga as condiçõesO que será pago e por quê?
Data comÚltimo pregão em que a ação carrega o direitoAté quando preciso comprar ou manter?
Data exPrimeiro pregão em que a ação é negociada sem aquele direitoA compra feita hoje ainda recebe?
Data de pagamentoO dinheiro é creditado ao acionista elegívelQuando o valor entra na conta?

Alguns documentos também apresentam uma data de registro ou record date. Ela faz parte da identificação formal da base de titulares. Para quem negocia ações brasileiras na B3, o caminho mais seguro é seguir a data com e a data ex divulgadas para o mercado local.

O exemplo da Vale mostra por que não se deve misturar calendários. Para VALE3 na B3, a data com foi 11 de agosto de 2026 e a data ex foi 12 de agosto. Para os ADRs negociados em Nova York, a companhia divulgou outra data de registro e outro pagamento.

O que é a data com?

A data com é o último pregão em que a ação é negociada com o direito ao evento anunciado.

Se o comunicado disser que a data com é 20 de agosto, as compras executadas até o encerramento desse pregão podem entrar na base elegível.

O ponto central é a posição líquida.

Considere que uma empresa pagará R$ 1 por ação e definiu 20 de agosto como data com:

Tabela 2 do artigo
Operação na data comPosição ao fim do pregãoDireito ao provento
Já tinha 100 e não negociou100 açõesR$ 100
Comprou 50 e manteve50 açõesR$ 50
Tinha 100 e vendeu 4060 açõesR$ 60
Comprou 100 e vendeu 100 no mesmo dia0 açãoR$ 0
Enviou ordem de compra, mas ela não executou0 açãoR$ 0
Comprou 7 no mercado fracionário7 açõesR$ 7

O histórico anterior não protege uma quantidade vendida na data com.

Se você mantinha 1.000 ações havia cinco anos e vendeu todas durante o último pregão com direito, o comprador passa a carregar o provento. Se vendeu apenas 300, permanece elegível sobre as 700 mantidas.

Por isso, “ter comprado antes” não basta. O que importa é a quantidade elegível no corte operacional daquele evento.

O que é a data ex?

A data ex é o primeiro pregão em que a ação deixa de carregar o direito ao provento anunciado.

A B3 chama o ativo com direito de ativo COM e o ativo sem direito de ativo EX. Na passagem de um estado para o outro, o direito financeiro é destacado da ação.

Isso produz duas consequências práticas.

Quem compra na data ex não recebe aquele provento

A compra continua sendo uma participação normal na empresa. O novo acionista poderá receber distribuições futuras, desde que esteja elegível nas próximas datas com.

O que ele não recebe é o evento já destacado.

Quem vende na data ex mantém o direito

Se você terminou a data com com 100 ações e vendeu as 100 na abertura da data ex, o dividendo continua sendo seu.

O comprador adquiriu as ações já sem aquele provento. Você vendeu o ativo ex-direito, mas manteve o crédito que será pago na data prevista.

Essa é a razão de um investidor poder receber dividendos de uma empresa que já não aparece em sua carteira.

Preciso comprar dois dias antes por causa do D+2?

Não.

As ações negociadas no mercado à vista da B3 possuem liquidação padrão em D+2. Isso significa que a transferência financeira e a conclusão da liquidação da operação ocorrem, em condições normais, dois dias úteis depois do negócio.

A confusão surge quando o investidor tenta voltar dois dias no calendário para descobrir quando comprar.

Esse cálculo já está incorporado no processo da bolsa.

O Manual de Procedimentos Operacionais da Central Depositária da B3 determina que a seleção dos investidores com direito ao evento é feita considerando a liquidação das operações realizadas no último dia de negociação com direito. A B3 aguarda a conclusão desse ciclo e, depois, forma a base elegível.

Em termos práticos:

A data com já é o último dia de compra. Não desconte o D+2 novamente.

Considere este cronograma simplificado, sem feriados:

Tabela 3 do artigo
Segunda-feiraTerça-feiraQuarta-feira
Data com e compra executadaData exLiquidação em D+2 da compra de segunda

Mesmo que a liquidação aconteça na quarta-feira, a compra de segunda foi realizada no último pregão com direito. A B3 aguarda o ciclo para refletir a titularidade na base do evento.

O investidor só precisa respeitar o calendário oficial e garantir que a ordem seja executada.

Posso vender antes da data de pagamento?

Sim.

Data com define elegibilidade. Data de pagamento define disponibilidade do dinheiro. São etapas distintas.

Depois que a ação entra em negociação ex, você pode:

  • vender parte da posição;
  • vender toda a posição;
  • transferir a custódia;
  • continuar com as ações.

O direito ao evento anterior não volta para o mercado.

Considere este exemplo:

Tabela 4 do artigo
EventoData
Aprovação5 de março
Data com15 de março
Data ex16 de março
Pagamento30 de abril

O investidor mantém 200 ações até 15 de março e vende todas em 16 de março. Em 30 de abril, recebe o valor correspondente às 200 ações elegíveis, sujeito às condições e à tributação aplicável.

Não é necessário recomprar os papéis nem mantê-los visíveis na carteira até o crédito.

O que acontece com o preço na data ex?

O dividendo não aparece do nada. Quando uma empresa distribui caixa, parte do valor que estava dentro do negócio passa para o acionista.

Por isso, a B3 calcula uma referência ex-provento.

Para um evento simples em dinheiro, o manual de precificação apresenta a relação:

Preço com = preço ex + valor do provento

Ou:

Preço ex teórico = preço com - valor do provento

Considere uma ação que encerrou a data com a R$ 25 e destacou R$ 1,50 por ação:

Tabela 5 do artigo
ComponenteValor
Último preço com direitoR$ 25,00
Provento destacadoR$ 1,50
Referência ex teóricaR$ 23,50

Antes da passagem, o investidor possuía uma ação avaliada em R$ 25. Depois, possui uma ação com referência de R$ 23,50 e um direito financeiro de R$ 1,50.

Tabela 6 do artigo
MomentoAçãoProvento a receberTotal teórico
Antes da data exR$ 25,00R$ 0R$ 25,00
Depois do destaqueR$ 23,50R$ 1,50R$ 25,00

A transição procura preservar o valor financeiro, antes de impostos, custos e movimentos normais do mercado.

A ação precisa abrir exatamente no preço ajustado?

Não.

R$ 23,50 é uma referência teórica. Na abertura da data ex, novas informações, mercado internacional, juros, commodity, resultado, fluxo de ordens e percepção de risco continuam atuando.

A ação pode negociar a R$ 23,20, R$ 23,50, R$ 24 ou qualquer outro preço aceito por compradores e vendedores.

Por isso, a frase “a ação caiu o valor exato do dividendo” simplifica demais. O direito é retirado da referência; a cotação real continua livre.

Uma maneira mais correta de ler a sessão é comparar o preço negociado com a referência ex, não apenas com o fechamento nominal da véspera.

Comprar na data com e vender na data ex gera dinheiro grátis?

Não.

A chamada estratégia de captura de dividendos consiste em comprar pouco antes do corte, preservar o provento e vender depois que o ativo se torna ex.

O problema é que o mercado já conhece o evento e a referência da ação é ajustada.

Considere 100 ações:

Tabela 7 do artigo
EtapaCálculoValor
Compra na data com100 × R$ 20R$ 2.000
Dividendo100 × R$ 1R$ 100
Preço ex teóricoR$ 20 - R$ 1R$ 19
Venda teórica na data ex100 × R$ 19R$ 1.900
Venda + dividendoR$ 1.900 + R$ 100R$ 2.000

Antes de spread, oscilação, tributação e custos, não houve criação automática de valor.

A estratégia pode dar lucro se a ação negociar acima da referência ex. Também pode dar prejuízo se cair mais. O resultado vem do movimento de mercado e da estrutura da operação, não da existência do dividendo isoladamente.

Para um investidor de longo prazo, data com e data ex são mais úteis para evitar erros operacionais do que para construir uma tese.

A tese continua dependendo de:

  • qualidade do lucro;
  • conversão em caixa;
  • payout;
  • dívida;
  • reinvestimento;
  • valuation;
  • sustentabilidade dos pagamentos.

O artigo Dividend Yield alto: renda ou armadilha? mostra por que provento recebido não deve ser confundido com retorno total.

Um caso real: a linha do tempo da Vale em 2026

O comunicado da Vale permite ver todo o processo.

Tabela 8 do artigo
EtapaData ou valor
Aprovação pelo Conselho30 de julho de 2026
Valor bruto total por açãoR$ 2,03072189812
JCP por açãoR$ 1,568705805
Dividendo por açãoR$ 0,462016093
Data com na B311 de agosto de 2026
Data ex na B312 de agosto de 2026
Pagamento2 de setembro de 2026

O anúncio foi feito em julho, mas o corte ocorreu em agosto. Portanto, não era necessário possuir VALE3 na data da aprovação. Era necessário terminar o pregão de 11 de agosto com a posição elegível.

Veja cinco situações:

Tabela 9 do artigo
InvestidorOperaçãoRecebe?
AComprou em 5 de agosto e manteveSim
BComprou em 11 de agosto e manteve até o fechamentoSim
CComprou em 12 de agostoNão
DTinha as ações em 11 de agosto e vendeu em 12 de agostoSim
ETinha as ações, mas vendeu em 11 de agostoNão sobre a quantidade vendida

O pagamento em 2 de setembro não altera essa base.

Esse exemplo também mostra que uma companhia pode combinar tipos diferentes de remuneração no mesmo anúncio. A data de elegibilidade pode ser a mesma, mas o valor líquido do dividendo e do JCP não é necessariamente igual ao valor bruto divulgado.

Data com vale para dividendos e JCP?

Sim. Eventos em dinheiro como dividendos e juros sobre capital próprio possuem uma base de titulares com direito, uma transição do ativo COM para EX e uma data de pagamento.

O comunicado pode usar expressões como:

  • ex-dividendos;
  • ex-JCP;
  • ex-proventos;
  • ex-restituição de capital.

O princípio é o mesmo: a compra realizada a partir da data ex não carrega o direito que já foi destacado.

Mas cada evento precisa ser lido separadamente.

Uma companhia pode anunciar no mesmo dia:

  • JCP com data com em agosto;
  • dividendos com data com em setembro;
  • pagamentos de ambos em outubro.

Não presuma que todas as linhas compartilham o mesmo calendário.

ON, PN e units podem receber valores diferentes

A distribuição depende do direito de cada espécie ou classe de ação e das condições divulgadas pela companhia.

Ações ordinárias e preferenciais podem:

  • receber o mesmo valor;
  • ter prioridades estatutárias diferentes;
  • usar datas iguais, mas valores distintos.

Units representam um conjunto de valores mobiliários. O pagamento por unit deve refletir sua composição e o tratamento anunciado.

Antes de multiplicar o valor pela quantidade da carteira, confira:

  1. o ticker citado;
  2. a classe ou espécie;
  3. se o valor está expresso por ação ou por unit;
  4. se o número é bruto ou líquido;
  5. se houve atualização posterior.

Um erro de unidade pode dobrar ou dividir incorretamente a renda esperada.

E as ações compradas no mercado fracionário?

O direito econômico é calculado por ação elegível.

Se uma companhia distribuir R$ 0,80 por ação e você mantiver sete ações compradas no mercado fracionário até a data com:

Provento bruto = 7 × R$ 0,80

Provento bruto = R$ 5,60

Não é necessário possuir um lote-padrão de 100 ações.

A quantidade pequena não muda a data de corte nem o direito por ação.

O que acontece quando as ações estão alugadas?

No empréstimo de ativos, o doador transfere temporariamente a titularidade ao tomador.

Formalmente, o doador deixa de receber o provento diretamente da companhia durante o empréstimo. A estrutura da B3, porém, garante um reembolso equivalente, na mesma data e em valor ajustado às condições fiscais aplicáveis.

Na prática, o investidor doador mantém o efeito econômico do provento, mas o lançamento pode aparecer como:

  • reembolso de dividendo;
  • reembolso de JCP;
  • evento de empréstimo de ativos.

Isso explica por que alguém pode não encontrar o crédito na mesma categoria dos dividendos comuns.

Tabela 10 do artigo
SituaçãoTratamento econômico
Ação mantida normalmenteProvento pago pela companhia por meio da estrutura de custódia
Ação doada em empréstimoReembolso equivalente garantido pelo sistema de empréstimos
Tomador com a ação emprestadaAssume as obrigações do contrato relacionadas ao evento

Ao conferir informes de rendimentos, não some o dividendo e o reembolso como se fossem duas receitas sobre a mesma ação.

A data com define quem recebe; a tributação define quanto sobra

A elegibilidade e a tributação são camadas diferentes.

Data com e data ex respondem:

Quem tem direito ao evento?

A regra fiscal responde:

Quanto do valor bruto será creditado ou permanecerá com o investidor?

Em 2026:

  • o JCP possui IRRF de 17,5% no pagamento ou crédito;
  • dividendos podem sofrer retenção de 10% quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil à mesma pessoa física residente no Brasil no mesmo mês, além do tratamento anual aplicável.

Isso não altera a data com. Altera o valor líquido.

O artigo Dividendos em 2026: tributação, JCP e regras detalha os limites, a retenção mensal e o ajuste anual.

Onde conferir a data correta

A fonte mais importante é o documento oficial da companhia.

Procure no RI:

  • aviso aos acionistas;
  • fato relevante;
  • ata do Conselho de Administração;
  • ata da assembleia;
  • histórico de proventos.

Depois, confira a informação na CVM e na consulta de eventos corporativos da B3.

Agregadores e calendários ajudam a encontrar eventos, mas não devem ser a fonte final. Eles podem:

  • mostrar uma data desatualizada;
  • confundir valor bruto e líquido;
  • usar a data de pagamento como se fosse data com;
  • misturar dividendos e JCP;
  • somar redução de capital como dividendo;
  • atribuir o valor de uma unit a uma ação individual.

O que anotar

Tabela 11 do artigo
CampoExemplo
Companhia e tickerVale — VALE3
TipoDividendo e JCP
Valor por açãoSeparado por tipo
Data de aprovação30/07/2026
Data com11/08/2026
Data ex12/08/2026
Data de pagamento02/09/2026
Valor bruto ou líquidoBruto
Classe elegívelAção ordinária
FonteComunicado oficial

Esse registro evita reconstruir o evento meses depois apenas com o extrato da corretora.

O dividendo não apareceu: o que conferir

Antes de concluir que houve erro, siga esta ordem.

1. Confirme a data com

Talvez você tenha comprado na data ex, acreditando que a data de pagamento era o corte.

2. Confira a execução da ordem

Uma ordem enviada, mas não executada, não cria posição.

3. Refaça a quantidade líquida

Compras e vendas no mesmo dia podem ter reduzido ou zerado a quantidade elegível.

4. Veja a data de pagamento

O direito pode estar provisionado, mas ainda não ter sido pago.

5. Separe bruto, líquido e tipo

JCP pode aparecer líquido de IR. Ações alugadas podem gerar reembolso. Redução de capital pode aparecer em outra categoria.

6. Confira a corretora e a Área do Investidor da B3

O crédito pode estar registrado em uma instituição diferente daquela que você está consultando, principalmente após portabilidade de custódia.

7. Leia eventuais atualizações

A companhia pode corrigir valor por ação, calendário ou condições operacionais por novo aviso.

8. Acione o custodiante

Se a posição e as datas estiverem corretas, a corretora ou o agente de custódia deve verificar o fluxo. O RI da companhia pode confirmar os termos do evento, mas o crédito ao investidor passa pela estrutura de escrituração e custódia.

A Lei das S.A. e o prazo de pagamento

A Lei nº 6.404 estabelece que os dividendos das ações em custódia são pagos pela companhia à instituição depositária, responsável pela entrega aos titulares.

O artigo 205 também prevê que, salvo deliberação em contrário da assembleia-geral, o dividendo deve ser pago em até 60 dias da declaração e, em qualquer caso, dentro do exercício social.

Na prática, o investidor deve seguir o calendário aprovado e divulgado no documento societário.

JCP e outros eventos podem ter fundamentos e cronogramas próprios. Por isso, a leitura do aviso continua indispensável.

Erros comuns

Comprar na data de pagamento

A data de pagamento não define quem recebe. O corte ocorreu antes.

Voltar dois dias por causa do D+2

A data com já considera o funcionamento operacional da bolsa. Comprar na própria data com é suficiente em condições normais de liquidação.

Vender durante a data com

A quantidade vendida deixa de compor sua posição elegível.

Achar que basta enviar a ordem

A ordem precisa ser executada.

Comprar e vender no mesmo dia

Se a posição líquida terminar zerada, não há provento.

Acreditar que precisa manter até o pagamento

Depois da data com, o direito pode ser preservado mesmo com venda na data ex.

Tratar o ajuste como prejuízo automático

Parte do valor saiu da ação e virou um direito financeiro. O resultado correto deve incluir ação e provento.

Usar o dividendo como motivo único da compra

O evento não substitui valuation, análise de caixa ou qualidade do negócio.

Ignorar a diferença entre bruto e líquido

Dividendos e JCP podem produzir créditos líquidos diferentes em 2026.

Confiar apenas no calendário de um agregador

A decisão deve usar o aviso oficial da companhia.

Checklist antes da data com

  • [ ] Li o aviso aos acionistas ou a ata oficial.
  • [ ] Confirmei o tipo de provento.
  • [ ] Registrei a data com.
  • [ ] Registrei a data ex.
  • [ ] Registrei a data de pagamento.
  • [ ] Verifiquei o ticker, a classe e a unit.
  • [ ] Confirmei se o valor é bruto ou líquido.
  • [ ] Calculei a quantidade líquida que manterei ao fim da data com.
  • [ ] Considerei ações alugadas ou em portabilidade.
  • [ ] Não descontei o D+2 novamente.
  • [ ] Não tratei o provento como retorno gratuito.
  • [ ] Avaliei sustentabilidade, preço e risco antes da compra.

Perguntas frequentes

Se eu comprar na data com, recebo dividendos?

Sim, desde que a ordem seja executada e você termine o pregão com a posição elegível. Não é necessário comprar dois dias antes por causa do D+2.

Se eu comprar na data ex, recebo?

Não recebe o provento que já foi destacado. Poderá receber distribuições futuras se mantiver a ação até as próximas datas com.

Posso vender na data ex e ainda receber?

Sim. Se você terminou a data com com as ações, pode vendê-las a partir da data ex e manter o direito ao evento anunciado.

Preciso ficar com a ação até o pagamento?

Não. A data com define a elegibilidade. O pagamento pode ocorrer depois de você ter vendido.

Se eu vender na própria data com, recebo?

Somente sobre a quantidade que permanecer na posição líquida ao fim do pregão. A parcela vendida passa a carregar o direito para o comprador.

Fiz day trade na data com. Recebo?

Se comprou e vendeu a mesma quantidade e terminou sem posição, não. O cálculo considera a posição elegível, não apenas a existência de uma compra durante o dia.

Uma ordem enviada no último minuto garante o dividendo?

Não. A ordem precisa ser executada. Se ficar aberta sem negócio, não há aquisição.

Data ex é sempre o dia seguinte?

Normalmente é o pregão seguinte à data com. Se houver fim de semana ou feriado, será a próxima sessão indicada no calendário e no comunicado.

Por que a ação fica mais barata na data ex?

Porque o direito ao provento deixa de acompanhar a ação. Para eventos simples em dinheiro, a referência ex deduz o valor destacado do último preço com direito.

A ação sempre cai exatamente o valor do dividendo?

Não. Existe uma referência ajustada, mas o preço negociado responde ao mercado e pode ficar acima ou abaixo dela.

Vale a pena comprar só para receber o dividendo?

O dividendo isolado não cria retorno automático, pois a referência da ação é ajustada. A decisão precisa considerar preço, qualidade, caixa, tributação e risco.

Ações do mercado fracionário recebem?

Sim. O provento é calculado pela quantidade de ações elegíveis, mesmo que seja menor que um lote-padrão.

Ação alugada perde o dividendo?

O doador não recebe formalmente o provento da companhia enquanto o ativo está emprestado, mas a B3 garante reembolso equivalente, ajustado às condições fiscais aplicáveis.

JCP usa data com e data ex?

Sim. O JCP anunciado possui uma data limite de elegibilidade e passa a ser negociado ex-direito conforme o calendário divulgado.

Por que recebi dividendo de uma ação que já vendi?

Provavelmente porque vendeu depois da data com. O direito já havia sido separado da ação.

Tenho ações em duas corretoras. Recebo nas duas?

O direito é calculado sobre as posições elegíveis mantidas nas contas de custódia. Os créditos podem aparecer em instituições diferentes, conforme onde estavam registradas as posições e os fluxos do custodiante.

Para fechar

O dividendo não passa a ser seu no dia em que o dinheiro cai na conta. O direito nasce no corte definido pelo evento.

A sequência correta é:

  1. a companhia aprova e anuncia o provento;
  2. a ação negocia com o direito até a data com;
  3. o investidor termina esse pregão com uma posição elegível;
  4. na data ex, o direito é destacado;
  5. a B3 e os participantes conciliam a base;
  6. o dinheiro é creditado na data de pagamento.

A dúvida operacional é simples. A decisão de investimento não.

Comprar apenas para atravessar a data com não transforma o dividendo em retorno gratuito. O preço se ajusta e o desempenho continuará dependendo do negócio.

Use o calendário para saber quem recebe e quando. Use análise fundamentalista para decidir se vale a pena ser acionista.

O artigo Ações de dividendos em 2026: quais são sustentáveis? mostra como avaliar payout, caixa, dívida e reinvestimento. O comparador de empresas do Tesemetria ajuda a colocar esses indicadores na mesma régua.

Uso educacional. Este artigo explica o funcionamento geral de eventos corporativos na B3 na data-base informada. Não constitui orientação tributária, recomendação de compra ou venda, relatório de análise, promessa de retorno ou oferta de investimento.

Fontes e leituras complementares

Empresas citadas:VALE3
DOS CONCEITOS À RENDA REAL

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Uso educacional. Este texto organiza conceitos e processos de análise. Não constitui relatório de análise, recomendação de compra ou venda, promessa de retorno ou oferta de investimento.